A 19ª Comissão Estadual para o Desenvolvimento da Economia do Mar (CEDEMAR) movimentou, no dia 10 de fevereiro, o auditório da Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, ao reunir autoridades civis e militares, especialistas e representantes do setor produtivo em torno de um tema cada vez mais estratégico: o papel da energia e economia do mar no futuro do Rio de Janeiro.
O encontro foi aberto pelo presidente da CEDEMAR e subsecretário de Energia e Economia do Mar, Marcelo Felipe, que destacou a necessidade de o Brasil “olhar para o mar não apenas como fronteira geográfica, mas como vetor de desenvolvimento econômico, tecnológico e de soberania”. Em seguida, o secretário Cássio Coelho, o deputado federal General Pazuello, a deputada estadual Célia Jordão (PL) e o vereador Diego Faro, reforçaram, em seus discursos, que a faixa litorânea brasileira, os portos, as rotas marítimas e o potencial offshore colocam o Brasil em posição diferenciada no cenário internacional — desde que haja coordenação entre políticas públicas, investimentos e inovação.

Ao longo da manhã, três painéis ajudaram a traduzir esse discurso em propostas e diagnósticos concretos. No primeiro deles, o Observatório da Economia do Mar foi apresentado por Alexandre Barbosa como uma peça-chave para organizar dados hoje dispersos sobre as atividades ligadas ao ambiente marítimo. A iniciativa pretende reunir informações de diferentes órgãos e instituições para gerar estatísticas confiáveis sobre geração de riqueza, empregos, cadeias produtivas e impactos ambientais. A avaliação é de que, sem números consolidados, o setor permanece subdimensionado nas decisões de governo e nas estratégias empresariais.
O segundo painel, conduzido pelo Contra-Almirante Cláudio Correa, tratou dos cenários prospectivos da Economia do Mar e projetou tendências para as próximas décadas. Entre os temas em destaque, apareceram a modernização da logística portuária, a ampliação das rotas de comércio exterior, as oportunidades em energia offshore e o crescimento do turismo náutico. Também ganhou espaço a discussão sobre biotecnologia marinha e novas fronteiras de pesquisa científica. Correa chamou atenção para a necessidade de formar profissionais especializados para ocupar essas áreas e lembrou que “o Brasil tem costa de potência marítima, mas ainda precisa se portar como tal em termos de planejamento”.

Já o terceiro painel trouxe um recorte mais tecnológico e de defesa, com o tema “Segurança Azul: enxames autônomos, comando digital e negação de área no ambiente naval”, apresentado por Ion Lato. A exposição mostrou como embarcações não tripuladas, drones marítimos e sistemas autônomos vêm ganhando espaço em operações de vigilância e proteção de infraestruturas críticas, como portos, cabos submarinos e áreas de exploração de petróleo. A integração entre comando digital, sensores e redes seguras de comunicação foi apontada como tendência irreversível, assim como a aproximação entre segurança marítima e defesa cibernética.
Em meio às apresentações técnicas, a cultura marítima também ganhou destaque. A CLC Andreia de Fátima apresentou os planos para o futuro do Instituto Cultural Marinha Mercante, com foco na preservação da memória da navegação mercante brasileira, na valorização dos profissionais do mar e na ampliação de ações educativas e de difusão cultural. A iniciativa é apoiada pelo Vice‑Almirante (RM1) Gilberto Santos Kerr, diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM) e membro assíduo da CEDEMAR, que reforçou a importância de conectar desenvolvimento econômico, identidade marítima e preservação histórica como pilares de uma verdadeira mentalidade voltada para o mar

Na parte final do encontro, coordenadores dos Grupos de Trabalho da CEDEMAR apresentaram, em linguagem mais direta, os principais gargalos e prioridades identificados nas diferentes frentes de atuação. Entre elas, apareceram a necessidade de atualizar marcos regulatórios, criar incentivos à inovação e a startups ligadas ao mar, aproximar universidades e centros de pesquisa das demandas do setor produtivo e garantir que o avanço econômico venha acompanhado de responsabilidade ambiental. A ideia de que desenvolvimento e preservação precisam caminhar juntos foi um ponto de consenso.
Ao término da 19ª CEDEMAR, a percepção entre os participantes era de que o mar deixou de ser apenas um tema setorial e passou a ocupar um lugar central na agenda de desenvolvimento fluminense e nacional. As contribuições apresentadas ao longo do evento serão reunidas em relatórios para subsidiar decisões de governo e orientar novos projetos. Mais do que uma reunião de especialistas, o encontro na Escola Superior de Guerra funcionou como um termômetro de algo que já está em curso: a consolidação da Economia do Mar como um dos eixos estratégicos do Brasil nas próximas décadas.
Por: David Antunes e Nathalia Oliveira























