De Chef Para Chef, São Paulo – SP

Há encontros que nos fazem sentir antes mesmo de começarem.

Quando a gastronomia encontra a arte de receber

Estar diante do chef Emmanuel Bassoleil foi assim para mim.

Eu já admirava seu trabalho há muitos anos. Há 23 anos, ainda na faculdade, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Naquela época, Emmanuel já era um chef renomado e uma grande referência para quem, como eu, começava a construir sua própria história na gastronomia.

Por isso, reencontrá-lo tantos anos depois, agora no Hotel Unique, teve um significado ainda maior. O tempo passou, minha admiração permaneceu e aquele reencontro ganhou um novo significado: desta vez, eu estava diante dele não apenas como admirador, mas também como chef.

Confesso: havia nervosismo.

Não era apenas uma entrevista ou uma experiência gastronômica. Era a emoção de reencontrar uma referência da minha trajetória e, desta vez, poder conversar com ele de chef para chef.

EMMANUEL, ALÉM DA COZINHA

Antes de falar sobre pratos, técnicas ou restaurantes, quis conhecer um pouco mais do homem que existe por trás de uma carreira tão respeitada.

EMMANUEL BASSOLEIL & HOTEL UNIQUE

Nascido na Borgonha, na França, Emmanuel cresceu em uma família onde a mesa tinha um significado especial. A mãe, cozinheira, e o pai, apaixonado por vinhos, foram suas primeiras referências.

A gastronomia entrou cedo em sua vida, mas o caminho foi construído com trabalho, disciplina e experiências que o levaram por diferentes cozinhas até chegar ao Brasil.

Foi aqui que sua história ganhou um novo capítulo. Emmanuel trouxe consigo a essência da escola francesa, mas encontrou no Brasil ingredientes, culturas e possibilidades que passaram a fazer parte de sua identidade.

Ao longo dessa trajetória, também se tornou uma personalidade reconhecida fora das cozinhas. Sua experiência e seu olhar apurado sobre a gastronomia o levaram à televisão, onde integrou o júri do Top Chef Brasil, da Record TV, compartilhando seu conhecimento e avaliando os participantes.

São experiências que ajudam a dimensionar uma carreira construída muito além de um restaurante.

E, para mim, foi justamente a oportunidade de conhecer o homem por trás de toda essa trajetória que tornou o reencontro tão especial.

HOTEL UNIQUE: UM ÍCONE DE SÃO PAULO

Depois de conhecer um pouco mais da história de Emmanuel, é impossível não falar do lugar que acolheu esse reencontro.

Inaugurado em 2002, o Hotel Unique rapidamente ganhou seu lugar entre os grandes símbolos da hotelaria paulistana.

Projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, seu desenho arrojado, com linhas curvas e uma arquitetura que parece desafiar a gravidade, transformou o hotel em um marco de São Paulo.

Mas o Unique vai além da arquitetura.

É uma experiência de hospitalidade que reúne design, arte, gastronomia, conforto e serviço em uma proposta contemporânea e sofisticada.

Um hotel que não é apenas endereço.

É destino.

E foi dentro desse cenário tão emblemático que tive a oportunidade de reencontrar Emmanuel e reviver uma admiração que começou ainda na faculdade.

SKYE: UMA VISTA PARA A CIDADE

Dentro do Hotel Unique está o Skye Restaurante & Bar, no rooftop.

E foi ali que nossa conversa aconteceu.

A vista de São Paulo é impressionante. A cidade se transforma em parte da experiência, enquanto arquitetura, design e gastronomia criam uma atmosfera que mistura elegância e descontração.

Sentar no Skye é olhar para São Paulo de outra maneira.

E viver aquela conversa com Emmanuel, naquele cenário, tornou o encontro ainda mais especial.

O Skye é, de certa forma, uma extensão da experiência do próprio Unique: um lugar onde a gastronomia encontra a arquitetura, a cidade e a arte de receber.

UMA GASTRONOMIA SEM FRONTEIRAS

O trabalho do chef Emmanuel dentro do Unique merece ser compreendido em toda a sua dimensão.

Seu olhar acompanha diferentes momentos da operação gastronômica do hotel, do café da manhã ao room service, passando por restaurantes, eventos, coquetéis e grandes banquetes.

É uma responsabilidade enorme.

No Skye, essa amplitude aparece em uma cozinha que não se limita à tradição francesa.

A gastronomia brasileira encontra espaço e identidade. A cozinha japonesa traz delicadeza e outras referências. E a Itália chega através das pizzas.

É uma experiência cosmopolita que conversa com a própria essência de São Paulo: uma cidade plural, onde diferentes culturas se encontram à mesa.

E talvez esteja justamente aí uma das grandes marcas de Emmanuel: trazer a técnica francesa como base, mas permitir que o Brasil também fale através de sua cozinha.

O HOMEM POR TRÁS DA DOLMÃ

Foi durante nossa conversa que meu nervosismo inicial começou a desaparecer.

Quanto mais Emmanuel falava, mais eu percebia que estava diante de alguém que carrega não apenas conhecimento técnico, mas uma história de vida.

E talvez seja isso que mais admiro nos grandes chefs: a capacidade de transformar experiências em identidade, levar memória para a cozinha e continuar aprendendo mesmo depois de tantas conquistas.

Nós, chefs, sabemos que por trás de um serviço perfeito existem horas de trabalho, escolhas difíceis, renúncias e, muitas vezes, distância da família.

Por isso, quando encontramos alguém que percorreu uma longa estrada, existe também respeito por tudo aquilo que não aparece no prato.

DE CHEF PARA CHEF

Ao longo da conversa, percebi que minha admiração não estava apenas intacta.

Ela havia crescido.

Porque conhecer alguém pessoalmente é diferente de acompanhar sua trajetória à distância.

É ouvir sua voz, perceber seus gestos, conhecer suas histórias e entender que, por trás de um nome reconhecido, existe uma pessoa que também viveu dúvidas, desafios, alegrias e recomeços.

Naquele rooftop, minha posição de admirador se encontrou com minha experiência de chef.

E foi bonito viver essa troca.

Não apenas falar de gastronomia, mas falar sobre a vida através dela.

São Paulo estava diante de nós, vista do alto, e naquele instante a cidade parecia fazer parte da própria conversa.

De chef para chef, entre experiências, histórias e memórias, vivi um daqueles encontros que a gastronomia proporciona, encontros que ultrapassam a cozinha e criam conexões humanas.

UM CARINHO QUE VOU LEVAR COMIGO

Chef Emmanuel, meu muito obrigado pela generosidade, pelo carinho e pela conversa tão especial que o senhor me ofereceu.

Há encontros que nos tocam de maneira inesperada, e o nosso foi exatamente assim. O beijo na testa, simples, espontâneo e cheio de afeto, transformou aquele momento em uma lembrança que levarei comigo para sempre e, confesso, esse só eu ganhei.

Saio do Hotel Unique profundamente grato, levando inspiração, admiração e a emoção de ter vivido uma experiência que ultrapassou a gastronomia. Levo também uma lembrança afetiva preciosa, daquelas que o tempo não apaga e que guardamos com cuidado no coração.

Foi uma honra estar ao seu lado, de chef para chef, mas, acima de tudo, foi um privilégio ser recebido com tanta humanidade e generosidade.

Alguns encontros terminam quando nos despedimos. Outros continuam vivos dentro de nós, revisitados com carinho sempre que nos lembramos deles.

Este ficará comigo, com profunda gratidão, admiração e afeto.

Até a próxima experiência à mesa.

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